09 abril 2014

School of the Holy Beast (1974)



Título Original: Seijû gakuen
Dirigido por: Noribumi Suzuki
Duração: 91 minutos
País: Japão

Os filmes semi-eróticos produzidos no Japão na década de 70 representaram uma revolução dentro da indústria cinematográfica daquele país, que na época era dominada pelos estúdios Nikkatsu e Toei. O sub-gênero é conhecido entre os entendidos como "Pink-eiga" ou "Pink Films" (filmes cor-de-rosa), devido à quantidade de nudez presente nestes trabalhos, fossem eles associados ao gênero policial, ao drama ou ao horror. O termo pornografia chegou a ser erroneamente usado por alguns estúdios para designar seus filmes, que no entanto jamais ultrapassaram as fronteiras do softcore por causa das barreiras impostas pela censura japonesa há até relativamente pouco tempo. Resumidamente, elas proibiam qualquer cena em que aparecesse nu frontal, genitais ou mesmo pelos pubianos. Fora isso, as histórias só dependiam mesmo da imaginação e do estilo de cada cineasta.

Realizado no Japão por Noribumi Suzuki durante a efervescência dos chamados pinku eiga (filmes cor-de-rosa), thrillers repletos de erotismo e violência protagonizados por mulheres, School of The Holy Beast mistura religiosidade à fórmula praticada pelo cinema erótico japonês, gerando uma obra peculiar, cruel, herética e repleta de estilo. Não faltam em sua estrutura regras básicas para o exercício do gênero, blasfêmias, torturas brutais, lesbianismo, histeria sexual, uma madre superiora sádica, e muita nudez.

 O cuidado com a composição estética gerou momentos impactantes, tanto pelo sadismo como pela sua beleza mórbida, como a seqüência onde Maya é açoitada por um grupo de freiras com ramos de rosas, ou quando duas noviças são obrigadas a se chicotearem mutuamente. E até mesmo a imagem de uma garota coagida a urinar sobre um crucifixo após uma sessão de tortura, apesar de desconcertante, soa estranhamente harmoniosa.

Seijû Gakuen é extremamente recomendado para quem deseja conhecer o melhor que este sub-gênero tem a oferecer. O senso de humor que emerge em determinados momentos do filme soa inesperado e fora da curva, graças à própria cultura japonesa de caras e bocas empregada na representação da reações emocionais. Dilemas que mergulham no contraste entre a avançada sociedade japonesa e o atraso social do mundo das freiras (fora e dentro das paredes do convento), e entre a tragédia atômica de Nagasaki e as frestas obscuras do catolicismo institucionalizado, uma minoria dentro do território japonês, fazem obrigatoriamente parte do pacote irônico, crítico e blasfemo do filme.

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