04 setembro 2013

Os Elementos Básicos do Altar – 1° Parte


POR PHARZHUPH

O Altar é uma das estruturas comuns mais presentes em todas as religiões, sistemas mágicos ou místicos conhecidos no mundo. Invariavelmente são utilizados nos mais diversos tipos de ritos, sejam sacrifícios, promessas, votos, consagrações, orações, iniciações, batismos, confirmações ou pactos.
Encontramos altares desde os sistemas mágicos “ortodoxos ocidentais” de Teurgia e Goetia à sacra
religiosidade Haitiana. Uns mais reservados, outros mais “expostos” como no Vodu Tradicional, mas todos com elementos e fins “comuns” ou similares.
Além de representar a Vontade Fixa do “Mago”, o Altar simboliza as bases sólidas nas quais o trabalho do “Operador” se fundamenta para realizar sua Obra. O Altar varia em função do sistema mágico, místico, religioso e do próprio “Operador” para tomar sua forma.


Existem casos em que há mais de um altar, como por exemplo, nos sincretismos africanos e porto riquenhos.
Não há uma fórmula correta para seguir na confecção de um altar, mas para torná-lo “funcional” e eficiente é preciso que o Operador conheça os instrumentos ali dispostos e saiba o que representam essencialmente.
O centro ao alto costuma ser o local reservado para a Divindade(s) ou Arquétipo(s) principal(is): Lilith, Lúcifer, Satã ou Adversário. É comum destinar esse mesmo local às ordens ou religiões sob ou sobre as quais o Iniciado trabalha.

Pode-se, ao redor das Divindades Principais ou Principal, agrupar outras divindades, forças, anjos, demônios, criaturas, emissários com os quais se trabalha. No Vodu, por exemplo, há uma grande reunião de Deuses e Deusas culminando num único sincretismo de acordo com o próprio praticante. No Lucky Hoodoo esse sincretismo se expande de maneira extraordinária e enriquece a prática espiritual. É de frente para Altar que costumam ser dirigidas as súplicas e as imprecações. Local onde a Essência tende a ser mais densa e sutil para alcançar as profundezas do Abismo ou além do horizonte, além dos limites estelares: a conquista dos planos interiores. Além das velas e dos incensos característicos, pode haver outros instrumentos ou armas sobre o altar e é sobre eles que passaremos a falar resumidamente a partir de agora.
Nesse pequeno ensaio trataremos somente dos instrumentos
tradicionais comuns à prática cerimonial “ocidental”, não serão
abordadas expansões “orientais” como as contidas nos milhares de
Tantras e nas adorações que lhe são características....

A Espada

Um dos instrumentos mais vistos e um dos menos compreendidos.
A Espada representa a Razão dirigida pela Vontade e pela Inteligência Iluminada do Operador. É através da Razão que se dominam determinadas energias interiores e exteriores que competem contra a natureza da operação e da Verdadeira Vontade do Operador. É preciso analisar racional e conscientemente os elementos e ter o cuidado necessário ao dirigir Ações. Em Goetia “tradicional”, para não dizer “medieval”, a Espada era utilizada nas evocações.

A Adaga

Ao lado da Espada, a Adaga expressivamente fálica, representa a Determinação ao Ofício Sagrado. É através dela que se imola a vítima durante um sacrifício onde a vida deveria se extinguir num único e preciso golpe junto com o sangue derramado. A Adaga representa o elemento alquímico conhecido como Mercúrio e é também utilizada para preencher o Cálice e anular instintos primitivos que podem surgir e dispersar a energia empregada na operação.

O Cálice

O Entendimento é um dos mais expressivos significados do Cálice, que por sua vez está diretamente associado à Yoni.
É o Cálice que armazena a Verdade e onde se administra o Veneno. O Cálice representa também o Sacramento e o local onde determinados fluídos se misturam na alquimia interior em Branco e Vermelho. É “no” Cálice em que nos envenenemos para podermos também envenenar (e nisso, literalmente, há um véu).

O Báculo 

Uma das principais armas mágicas é o Báculo, símbolo da Vontade Mágica e Criativa do Operador. O Báculo é uma alavanca. Com um ponto de apoio, universos inteiros podem se mover com a aplicação da Força adequada. No Báculo estão incrustadas as insígnias que re-velam a Vontade Mágica. É por excelência uma arma fálica. O Óleo Mágico
Representa necessariamente a Aspiração do Operador ao trabalho mágico e costuma ser utilizado nas
consagrações. Apesar das mais diversas formas de elaboração do óleo é possível utilizar azeite com essências específicas escolhidas de acordo com o que se almeja na utilização. É comum que Magistas mais experientes formulem e fabriquem seus próprios óleos para os mais variados fins, porém é fundamental que o operador conheça as propriedades de ervas, minerais e demais componentes que o óleo pode conter.

O Sino

O Sino trás a atenção do Operador para o objetivo da operação e o alerta para determinados aspectos. Pode ser utilizado também para codificar símbolos rituais em mensagens sonoras e marcar pontos importantes durante cerimônias e rituais.
O Sino “ideal”, segundo antigos Mestres, deveria ser feito de uma liga metálica especial conhecida como Electrum Magicum que seria formada pelos metais correspondentes ao setenário astrológico “tradicional”: ouro, prata, latão, chumbo, mercúrio, cobre e ferro. Há indicações sobre como se fundir o Electrum Magicum em obras de Agrippa e Crowley. Na Missa da Fênix, notória prática ritualística da Astrum Argentum, o sino é tocado 44 vezes em 4 séries de 11. 44 é o valor gemátrico da palavra hebraica “DAM” (sangue). Partindo do centro do sino, o badalo deveria estar suspenso por uma corrente, que por sua vez estaria presa ao sino por uma tira de couro. O material do badalo poderia ser um osso humano. Esse arranjo permite que o sino seja manipulado sem que emita sons em momentos inoportunos.

Considerações finais

É de suma importância que o praticante monte seu altar de acordo com seu próprio sistema de analogias.
Há casos em que o estudante prefere ou é submetido à “orientações” de grupos ou de outros magistas: cabe
somente ao praticante escolher aquilo que considera mais adequado. Lembrar de sempre analisar e relacionar causas e efeitos é algo fundamental. Estudar seriamente as instruções daqueles que já trilharam o “tortuoso caminho do cerimonial” é algo altamente recomendável, afinal, reinventar a roda é desnecessário.
Montar um altar somente para demonstrar para seus amigos que você está estudando ou praticando magia, é algo um tanto contrário a uma das quatro provas fundamentais da iniciação: o Silêncio. Se o seu interesse pelo Caminho da Mão Esquerda é verdadeiro, evite fazer “propaganda” sobre a Arte. Saiba: o Ego é natural e todos o possuem, porém não podemos nos submeter aos caprichos que nos distanciam de nossa Verdadeira Vontade.


Bibliografia de referência:
Lucifer Luciferax I
- Magick, de Aleister Crowley, Weiser Books;
- Tratado Elementar de Magia Prática, de Papus, Editora Pensamento;

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