23 maio 2013

A Casa Abandonada (conto)



Um amigo bem próximo me enviou seu conto que fez, achei interessante e pedir para publicar aqui no blog, o conto se chama A casa Abandonada, o autor é o Gabriel Landa (Facebook) e é cheio de suspense, recomendo! 


A casa Abandonada

Luciana dormia tranquilamente em sua cama. Estava superando relativamente bem à separação do marido há dois meses. Seus sonhos estavam tranquilos, até que ela acordou com um barulho na casa. A mulher levantou-se rapidamente. Era uma noite quente de setembro, na minúscula cidade de Mundo Novo, Mato Grosso do Sul. A cidade faz uma tríplice fronteira com o Paraná e com o Paraguai. Ou seja, uma rota de drogas e outros artigos ilegais, outro barulho.
Ela se desesperou, saiu da cama e correu pela casa, seu medo é que tivesse alguém na casa e essa pessoa fizesse mal ao seu filho, Marcelo, um bebê de cinco meses.


-Amor- foi o que ela exclamou ao ver o bebê dormindo no berço. Ela correu até ele e o pegou no colo, tranquila por ele estar bem e por imaginar que não havia ninguém na casa. A mãe colocou o filho de volta no berço e se afastou devagar, não deu dois passos e ouviu um som próximo, algo pesado havia caído bruscamente ali perto. Ela correu e olhou pela janela, não havia nada lá fora, a casa continuava trancada, a única abertura era um buraco para se por o ar condicionado, com uma grade de proteção seria impossível alguém entrar por ele. Ela notou que era hora de parar de esperar o pior, foi até a porta que dava para o corredor, ligaria para a polícia, chegou à porta e novamente decidiu voltar ao berço e levar Marcelo junto com ela, por precaução, mas quando chegou ao berço, seu filho não estava mais lá. 
   Luciana começou a tremer, seu filho sumiu, não havia ninguém no quarto, ninguém no corredor, ninguém correndo no quintal, impossível alguém entrar e sair daquele quarto sem ser visto, ainda mais em tão pouco tempo, mas isso aconteceu. Ela sabia que deveria fazer alguma coisa, ligar pra polícia? Nem perderia tempo ligando, estava tendo comício na cidade, toda aquela gente mais a bajulação aos candidatos, e todo o papo do sumiço ser a mais de 24 horas para ser considerado desaparecido, a polícia não mandaria ninguém esta noite. Porém, Marcos, o pai de Marcelo, era um policial da fronteira, não fazia rondas na cidade, apenas fiscalizava a fronteira Brasil – Paraguai, e essa noite ele estava de folga.
 Ela ligou o mais rápido que pode, Marcos atendeu puto da vida, sabia que ela ia ligar pra falar merda – LEVARAM O MARCELO – Ela gritou. 
Marcos, do outro lado da linha ficou chocado – O QUE? SEQUESTRARAM O MEU FILHO? QUEM FOI O DESGRAÇADO? – Ele respondeu aos berros.
Ela chorava, soluçava e tentava falar- Não s..sei ele esta...va aqui no berço e...eu me vire e...e ele sumiu, não tinha nada aberto na...ca...casa.
-Sua vagabunda eu saí dessa casa imunda e você deixa isso acontecer?
 Ela não teve tempo de responder e ele desligou. Ele não havia culpado ela pelo término, afinal ele quem foi pego transando com outra. Mas ela deixar Marcelo ser sequestrado? Para ele era isso, ela quem deixou. Em outras situações ele raciocinaria, ligaria para um colega. Desta vez não, ele se lembrou de uma casa abandonada que avistava da estrada toda vez que ia para o trabalho, e conhecia os boatos de que encontraram cadáveres de bebês e de crianças no local. Mundo Novo era uma cidade segura, dificilmente alguém sequestraria um bebê, talvez um bêbado tentasse, mas seria visto e não entraria como um ninja em um quarto. Marcos conhecia o quarto do filho, sabia que a única abertura era para um possível ar condicionado, ficava no alto, era pequena e com grades, um bêbado não entraria. Minutos depois o policial entrou no seu Opala 76 verde e pegou o rumo da estrada. Em pouco tempo estava na BR-163, em direção à fronteira.
   
   O telefone tocava, Luciana ainda tentava ligar para ele, mas não atenderia, estava irritado de mais para isso. Em menos de 15 minutos ele chegou ao local, uma estradinha de terra que saía da estrada, ninguém notaria, mas ele passava por ali a cada dois dias, conhecia perfeitamente a estrada, e sabia qual estrada daria na casa. Não dirigiu 200 metros pela ruazinha de terra e os faróis já iluminaram a casa. Ele desceu, ia dar um tiro no olho do primeiro que visse. Embora fosse policial, era um homem bem destreinado, sem uma arma não se daria bem em um combate. Com 1,73m, magrelo, óculos, não fazia um esportes desde que terminou a escola há 15 anos. Fez os exercícios obrigatórios para passar na prova da polícia, mas só.
  Uma casa deteriorada, antiga, janelas quebradas, telhas que nem são mais fabricadas. A pequena casa era um quadrado perfeito, 4x4. Provavelmente possuía um banheiro, um quarto e uma sala/cozinha. Não que ele se importasse com arquitetura. Nem havia porta, ele entrou na casa, estava fendendo, cheiro de ácaros, bílis, carne putrefata e decomposição. Marcos ligou a lanterna que carregava na mão esquerda, a direita é claro, carregava seu revólver calibre 38. Iluminou a casa, as paredes estavam marcadas, como se alguém tivesse passado facas até fazer buracos. 
   O policial estava no meio da sala quando viu, seu filho estava no chão de concreto, de olhos fechados. Ele se abaixou rapidamente e o pegou no colo, Estava vivo, mas desmaiado. Marcos se virou, ia correr até o carro, mas viu algo que o fez parar imediatamente. Parado fora da casa, apenas a alguns passos da porta, estava um ser de três metros de altura, com um terno, não possuía olhos, nariz, boca ou qualquer coisa que identifique um rosto. A coisa era extremamente magra e ao invés de mãos, possuía enormes tentáculos saindo de seus braços. Era a coisa mais grotesca que Marcos já viu. Mal se surpreendeu com a criatura e disparou cinco vezes contra o peito dela, que apenas recuava com os impactos. O policial notou que seria inútil desperdiçar o sexto tiro no peito, atirou na cabeça do ser, que caiu com o impacto. Marcos correu, passou pelo corpo da coisa jogado no chão. Abriu a porta do carona, e colocou o filho na cadeirinha de bebê acoplada ao banco. Apertou o cinto, fechou a porta e correu para o banco do motorista, aquilo não era humano, e ele não queria estar perto para descobrir se a coisa ainda estava viva depois dos tiros. Marcos se sentou no banco, fechou a porta, pôs a chave na ignição e sentiu algo roçando seu pescoço. Era um tentáculo. A coisa estava viva, o homem-esguio estava vivo. E o sufocava, Marcos tentou lutar, gritar e até mesmo respirar, mas não conseguia. Olhou para o filho e notou os tentáculos do braço esquerdo da criatura entrando pela janela do passageiro e retirando Marcelo da cadeirinha. Foi aí que ele notou, foi assim que ele levou seu filho no início, seus tentáculos entraram pelo buraco do ar condicionado, havia grades e um bebê passava, assim como os tentáculos daquele ser. Não eram como os de um polvo em uma pessoa, não havia ventosos, mas era como uma pessoa que desenvolveu tentáculos, sem mistura de seres marinhos com humanos. Marcos também se lembrou dos boatos de cadáveres de bebês no local, foi o homem-esguio que os deixou lá. Ele que matava as crianças. O policial usou suas últimas forças para tentar tirar o tentáculo de seu pescoço. Viu o filho agarrado pelo ser. Enquanto aquela cabeça sem rosto “olhava” para ele, lutando de dentro do carro. Marcelo no colo da criatura segurado pelo braço livre. Seu último pensamento foi – Meu filho vai morrer esta noite.

Um comentário:

  1. Olá...eu recomendei o Mortuus et Cruentum para essa campanha...http://noitesinistra.blogspot.com.br/2013/05/tag-o-que-voce-acha-dos-blogs-parceiros.html

    ResponderExcluir